domingo, 24 de junho de 2007

Referencial Teórico para Estratégia de (Re)Estruturação


José Júlio Martins Tôrres

jjmtorres@gmail.com

Resumo

Este trabalho apresenta a influência das Visões de Mundo – Mecanicista, Econômica e Complexa – que estão competindo no contexto da atual Mudança de Época, mostrando quais as implicações de cada uma destas Visões de Mundo na atuação dos estrategistas e dando ênfase para a necessidade, cada vez mais premente, da Visão Complexa de Mundo para o desenvolvimento e implementação de uma estratégia de (re)estruturação das organizações.

Palavras chave: Complexidade, Estratégia, Pensamento Complexo, Visão de Mundo.

1 Introdução

Segundo Manuel Castels (APUD DE SOUZA SILVA, 2001), as incontáveis mudanças profundas, velozes e simultâneas nas relações de produção, nas relações de poder, na experiência humana e na cultura que estão acontecendo, já há algum tempo, caracterizam uma mudança de época – da época do industrialismo para a época da informação, do conhecimento e comunicação. As turbulências, a instabilidade, a descontinuidade, a desorientação, a incerteza, a insegurança e a vulnerabilidade geradas por uma mudança de época criam uma crise de percepção.

Para superar esta crise de percepção temos que compreender as visões de mundo que estão em conflito no contexto da atual mudança de época. Na época do industrialismo predominou a gerência da eficiência (mecânica). A partir dos anos 70 do século XX entrou também em ação a gerência da competitividade (econômica predatória). Entretanto, há mais de quatro décadas, a relativamente tranqüila gerência da eficiência e da competitividade, vêm sendo substituída pela gerência da competência, em conseqüência da turbulência da atual mudança de época na jornada da humanidade rumo à época da informação. Na gerência da eficiência, os estrategistas adotam uma visão mecanicista de mundo e um modelo racionalista de gestão na qual as estratégias são dirigidas para a eficiência (re)produtiva da organização. Na gerência da competitividade os estrategistas adotam uma visão econômica de mundo e um modelo econômico de gestão no qual as estratégias estão associadas ao retorno econômico máximo. Estes modelos racionalista e econômico forjaram uma geração de estrategistas cujas estratégias são “programadas” para uma realidade objetiva, preditível e estável, segundo a influência dos ditames da racionalização: eficiência (mecânica), quantificação, predição e controle, e a partir sabedoria superior do mercado, gerando uma competitividade predatória, o que implica a eliminação de competidores e a apropriação egoísta do máximo beneficio para a organização.

Frente às turbulências próprias de uma mudança de época, a arte de desenvolver estratégias está experimentando profundas dificuldades, como conseqüência da dialética dos interesses em conflito associados às diferentes visões de mundo – visão mecanicista de mundo, visão econômica de mundo e visão complexa de mundo – que competem para prevalecer na nova época. (DE SOUZA SILVA, 2001; TÔRRES, 2002).

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jjmtorres@gmail.com

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Referências

DE SOUZA SILVA, José; CHEAZ, Juan; SANTAMARÍA, Julio; MATO, María Adriana; LEÓN, Alicia. La dimensión de estrategia em la construción de la sostenibilidad institucional. Serie Innovación para la Sostenibilidad Institucional. San José, Costa Rica: Proyecto ISNAR Nuevo Paradigma. 2001.

TÔRRES, José Júlio Martins. Visões de mundo e estratégia. Trabalho apresentado na XXXVII Assembléia do Conselho Latino-americano de Escolas de Administração – CLADEA 2002. Porto Alegre – 22 a 25 de outubro/2002.


quinta-feira, 10 de maio de 2007

Teoria da Complexidade: uma nova visão de mundo para a estratégia

José Júlio Martins Tôrres (UFC/CE) jjmtorres@gmail.com

Apresentado no I Encontro Brasileiro de Estudos da Complexidade

I EBEC – PUC/PR – Curitiba, PR, Brasil, 11,12 e 13 de julho de 2005

Resumo

Este trabalho apresenta as Visões de Mundo – Mecanicista, Econômica e Complexa – que estão competindo no contexto da atual Mudança de Época, mostrando quais as implicações de cada uma destas Visões de Mundo e dando ênfase para a necessidade, cada vez mais premente, da Visão Complexa de Mundo para a Estratégia das organizações, a partir das lições da Teoria do Caos e das características dos Fractais.

Palavras chave: Caos, Fractal, Teoria da complexidade.

1 Introdução

Visão de mundo é uma janela conceitual, através da qual nós percebemos e interpretamos o mundo, tanto para compreendê-lo como para transformá-lo. Esta janela funciona como uma espécie de lente cultural, na construção da qual os ingredientes incluem valores, crenças, princípios, premissas, conceitos e enfoques que modelam nossa percepção da realidade e, portanto, nossas decisões, ações e interações e todos os aspectos de nossa experiência humana no universo. É a ferramenta cultural mais poderosa da qual dispõem um indivíduo, grupo social, uma comunidade e uma sociedade, para (re)significar seu passado, compreender seu presente e fazer previsões para construir seu futuro. Quando compreendemos que a realidade é o que o nosso método de observação nos permite perceber, passamos a reconhecer que nossa visão de mundo formata nossos modelos mentais, através dos quais observamos, sistematizamos, interpretamos e aportamos significado às nossas próprias experiências no mundo.

Muitas idéias novas excelentes deixam de ser implementadas por serem conflitantes com modelos mentais profundamente arraigados que limitam a maneira de as pessoas pensarem e agirem e interagirem. Isto caracteriza a grande crise em que vivemos hoje, uma crise de percepção. Esta crise deriva do fato de que nós, e em especial nossos líderes, conduzimos a execução de nossas ações e interações, orientados pelos conceitos de uma visão de mundo obsoleta, de uma percepção de realidade inadequada para lidarmos com nosso mundo, que é cada vez mais complexo. Deixamos, não só de reconhecer como diferentes problemas estão inter-relacionados, mas também nos recusamos a reconhecer como as nossas soluções afetam as outras pessoas e até mesmo as gerações futuras (DE SOUZA SILVA, 2001).

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Referências

DE SOUZA SILVA, J. S. et al. La questión institucional: de la vulnerabilidad a la sostenibilidad institucional en el contexto del cambio de época. Serie Innovación para la sostenibilidad institucional. San José, Costa Rica: Proyecto ISNAR “Nuevo Paradigma”, 2001.